https://lp.faro.com.br/modelo-comercial/
O valor da escuta ativa em sets colaborativos: a diferença entre um executor e um artista
Lembro-me claramente de uma tarde em um estúdio de fotografia industrial, onde a tensão era palpável. Estávamos produzindo uma campanha para uma marca de tecnologia, e o diretor de cena pedia ajustes milimétricos na postura do modelo principal. O rapaz, um iniciante com um book impecável, parecia congelado. Ele executava exatamente o que lhe era pedido, mas faltava alma. O fotógrafo, exausto, começou a elevar o tom, frustrado porque a “intenção” não aparecia nas lentes. Foi quando a produtora de elenco parou tudo, pediu um café e chamou o modelo para uma conversa rápida. Ela não deu instruções técnicas; ela apenas perguntou o que ele achava que aquele produto significava para a vida de alguém.
A mudança foi imediata. Na volta para o set, o modelo não estava mais apenas “posicionando o corpo conforme as coordenadas”. Ele estava ouvindo. Ouvindo o que o fotógrafo queria capturar, ouvindo a intenção por trás da luz que batia em seu rosto e, principalmente, ouvindo o silêncio do ambiente que pedia uma atitude mais serena. Ali, percebi que a diferença entre um executor de ordens e um artista reside inteiramente na capacidade de escuta ativa.
O silêncio que precede a ação
Muitos modelos e atores chegam ao mercado acreditando que sua função é apenas física: ser um cabide de luxo ou um recitador de textos. No entanto, o mercado publicitário moderno, que valoriza cada vez mais o naturalismo e a autenticidade, exige uma escuta que vai além dos ouvidos. Trata-se de captar a atmosfera da cena.
Quando você entra em um set de filmagem ou em uma sessão de fotos, o diretor de arte, o fotógrafo e o cliente já trazem uma bagagem invisível. Eles têm uma expectativa emocional sobre o resultado final. Se você estiver apenas preocupado com a sua própria marcação de luz ou com o ângulo do seu rosto, você perde o que está acontecendo ao seu redor. A escuta ativa permite que você incorpore a essência da campanha. Se a marca quer transmitir “segurança”, o seu corpo precisa reagir ao ambiente de forma a projetar isso, o que só acontece se você estiver sintonizado com o feedback que recebe da equipe, em vez de focar apenas no espelho.
Transformando instruções em intenções criativas
Saber ouvir não significa concordar passivamente com tudo. Significa processar a informação técnica e transformá-la em algo que faça sentido na sua expressão corporal. Um executor faz exatamente o que a folha de chamada indica. Um artista interpreta a necessidade do cliente e a eleva.
Considere um casting para um comercial de e-commerce. O briefing pede “alegria”. O executor abrirá um sorriso artificial e mecânico. O artista, por outro lado, ouvirá a sugestão, entenderá o contexto do produto e buscará uma memória ou uma sensação que provoque um sorriso real, que alcance os olhos. A escuta aqui é sobre entender o objetivo da marca e servir a ele com a sua própria carga emocional.
A construção de uma reputação sólida
No final das contas, o mercado publicitário é extremamente pequeno. A notícia sobre quem é “difícil de trabalhar” ou “autômato” viaja rápido entre agências de modelos e produtores. Por outro lado, o profissional que demonstra escuta ativa — aquele que ajusta a postura sem precisar de três repetições, que entende o tom da campanha na primeira explicação e que colabora com a energia do grupo — torna-se um ativo valioso.
Essa postura abre portas que um rosto bonito, por si só, jamais abriria. Quando você se torna alguém que entende a colaboração como um exercício de troca, cada set deixa de ser apenas uma obrigação contratual e se transforma em uma escola. Você para de apenas “entregar um trabalho” e passa a construir uma carreira. Afinal, a tecnologia pode mudar, as tendências de moda podem girar, mas a sensibilidade de um profissional que sabe ouvir é algo que nunca sai de moda e que, invariavelmente, garante o próximo convite.